domingo, 3 de julho de 2011

As Portas da Percepção

As portas da percepção

Bom dia, nada como uma manhã nublada e fria de Sampa para animar a escrever.

Faz 40 anos da morte de Jim Morrison, vocalista da banda The Doors e um dos ícones do rock mundial. O nome da banda foi retirado pelos estudantes de cinema da UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles) Ray Manzarek, Robby Krieger e John Densmore e Jim Morrison (1943-1971) do título do livro de Aldous Huxley (1894-1963) que por sua vez o retirou de um verso do poema de William Blake (1757-1827):

Se as portas da percepção fossem abertas, tudo pareceria para o homem como realmente é: infinito

If the doors of perception were cleansed, everything would apear to man as it is: infinite

Nascia a banda The Doors que rapidamente alcançaria o sucesso. O jovem Jim, vocalista da banda, era diferente dos então já famosos Beatles, moços comportados de Liverpool que usavam terninhos e cabelos bem aparados, ou mesmo dos “velhos rockeiros” como Elvis Presley e Little Richard que cantavam o velho rock ainda com influência do gospel e do folk. Morrison era rebelde, atrevido, com cabelos desarrumados, algo totalmente fora do padrão american way of life and rebels.

Ele não era o rebelde bonitinho de como James Dean de Juventude Transviada, mas o que incomodava e realmente fugia dos padrões aceitáveis para a sociedade americana segregacionista da época. Que condenava os jovens que se rebelavam contra esse conservadorismo norte-americano e buscavam muitas vezes esse refúgio e expressão na música e nas drogas como a maconha e o LSD que davam paz de espírito e levavam seus usuários a viagens psicodélicas. Ora, o que foi Woodstock como o slogan faça amor, não faça guerra, se não uma reação ao rumo que o mundo ocidental estava tomando naquela época?

Arrisco-me a dizer que Morrison foi um dos poetas do rock , com letra belíssima em músicas como Touch (Eu te amarei até a chuva iniciar no paraíso, Eu te amarei até as estrelas cairem por mim e por você), Ele fez o rock a expressão de suas angústias e rebeldia e foi um dos precurssores do rock rebelde e transgressor. A minha geração conheceu Doors e Jim Morrison através de outros cantores que regravaram suas músicas como Break on Through e RoadHouse Blues por Pearl Jam do movimento Grunge na década de 1990. Através dele cheguei a Doors.

Após um show em Miami em que foi acusado de atos libidinosos e transgressores e só não ficou preso por pagar uma fiança de US$50 mil, Jim Morrison busca refúgio em Paris junto com sua namorada. Em uma dessas extravagâncias regada a alcool e a drogas Jim teve uma overdose e veio a falecer na banheira de seu apartamento no dia 03 de Julho de 1971.

Certa vez, Don Mackelean em American Pie (1971) escreveu o seguinte verso: O dia em que a música morreu (The day the music die) referindo-se ao acidente aéreo de 03 de Fevereiro de 1959 que vitimou Buddy Holly, Ritche Valens e The Big Popper, precursores do velho rock. Arrisco-me a afirmar que essa frase também se equipara, não ao dia, mas aos anos de 1970 e 1971 com a morte de Jimmy Hendrix (1942-1970) Jani Joplin (1943-1971) e Jim Morrison (1943-1971).

Morrison está enterrado no famoso cemitério Père-Lachaise onde estão enterrados personalidades como Balzac, Oscar Wilde, Marcel Proust, La Fontaine (cresci lendo fábulas dele), Delacroix, Modgliani, Chopin, Maria Callas,etc. Poderia haver lugar melhor para um poeta do rock ser enterrado?

Agora uma música que exprime bem o Doors way of life da época.



keep your eyes on the road, your hands upon the wheel

Um comentário:

  1. Adorei o post! Tempos atrás, fiquei indignada com o famoso comentarista musical da carioca platinada dizendo que Jim não era nem bom musicista e nem bom letrista, só fez um bom mise-en-scéne na hora e tempos certos. Que bom que tem gente, assim como eu, que não acha o mesmo.

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