sábado, 17 de setembro de 2011

Não Deixe o Samba Morrer

Nessa semana, no dia 14, seria aniversário natalício de Milton de Oliveira Ismael Silva, ou simplesmente Ismael Silva. Para as novas gerações quase ninguém o conhece, autor de sambas formosíssimos como Se você Jurar, Ao romper da Aurora, Pra me livrar do mal, entre outros. 

Da segunda geração de sambistas, Ismael nasceu em 1905 em Niterói-RJ, era o mais novo de cinco irmãos. Com a morte do pai a família passa por dificuldades financeiras e mudam-se para o bairro Estácio de Sá, onde Ismael passa a compor seus sambas a partir dos 15 anos de idade. Bairro que será incorporado ao seu nome dentro do meio do samba: Ismael da Estácio. Aos 20 grava seu primeiro samba Me faz carinhos, que promove sua aproximação com Francisco Alves, O Rei da Voz.

Ao lado deste e Nilton Bastos monta o grupo chamado Os Bambas da Estácio. No carnaval de 1931 o trio compõe aquele que seria um dos melhores sambas já feito: Se você Jurar, aliás samba muito importante na vida do autor deste texto.



Se você jurar que me tem amor
Eu posso me regenerar
Mas se é para fingir, mulher
A orgia assim não vou deixar
Muito tenho sofrido
Por minha lealdade
Agora estou sabido
Não vou atrás de amizade
A minha vida é boa
Não tenho em que pensar
Por uma coisa à-toa
Não vou me regenerar
A mulher é um jogo
Difícil de acertar
E o home como um bobo
Não se cansa de jogar
O que eu posso fazer
É se você jurar
Arriscar a perder
Ou desta vez então ganhar

Nota-se claramente na letra da música a influência do momento em que viviam. O samba deixa de ter o ritmo quebrado do partido alto que a primeira geração (Donga, Mauro de Almeida e outros) cantava nos terreiros e passa a ser mais cadenciado. Assim como a letra, influenciados pela ascensão de Getúlio Vargas ao Poder em 1930 e a campanha da construção do “novo homem brasileiro”, os sambas passam a falar do malandro que busca a regeneração, que quer deixar a boemia e ter uma vida regrada. O Samba deixa de ser marginalizado e passa tocar nas principais emissoras de rádio da capital federal. 

Nessa mesma época ele fazia parte daquela que foi a primeira escola de samba do Brasil: "Deixa Falar"; do qual ele era fundador e que após sua mudança para o centro do Rio de Janeiro e a morte de Nilton Bastos em 1931 deixa de existir após três anos de desfile. Se aproxima de Noel Rosa e compuseram juntos 18 canções. Seu afastamento do mundo do samba ocorreu devido a sua prisão após atirar em Edu Monteiro, cumpriu dois anos dos cincos que foi condenado por bom comportamento. Ficou recluso até a década de 1950 quando foi “ressuscitado” após a gravação do samba Antonico. Faz alguns shows esporádicos e veio a falecer em 1978 vitimado por um ataque cardíaco.

A seguir um vídeo do grande sambista

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