domingo, 23 de outubro de 2011

ENEM: mais que um projeto pedagógico, um projeto político

O Enem surgiu em 1998 durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, elaborado pelo ministro da educação Paulo Renato de Souza. Tinha por objetivo inicial avaliar o desempenho dos alunos no Ensino Médio dentro dos PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais). Tinha 63 questões mais redação feito no mesmo dia. A partir de 2009 o ENEM ganha um novo formato elaborado pelo ministro da educação Fernando Hadad. Com dois dias de provas, dividido por grande áreas do conhecimento: as cinco competências do ensino (Ciências Humanas e suas tecnologias, Ciências da Natureza, Linguagem e seus códigos, Matemática e Redação) e suas 21 habilidade também é o processo seletivo das universidades federais.

 A mudança que eu destaco no “velho” e “novo” ENEM é a democratização do ensino superior que ele proporcionou nesses 13 anos de existência. Primeiramente com o ProUni (Programa Universidade para todos) possibilitou jovens de baixa renda financiarem seus estudos em universidades particulares. A partir de 2009 quando se torna processo seletivo das universidade federais (SISU) ele supera regionalismo dos vestibulares que algumas universidades faziam para privilegiar os estudantes locais.

Mas como toda mudança, trás resistência até que seja complementada, as grandes redes de ensino particular estão, desde 2009, atacando incessantemente o ENEM, pois se cumprir a sua meta que é substituir o vestibular e se tornar um processo seletivo único, cursinhos pré-vestibular e materiais didáticos, teriam que re-formular totalmente suas estruturas e seus métodos de ensino.

Mas além de todo esse projeto pedagógico brevemente explicado, o ENEM também se tornou projeto político, seja do PSDB como herança de seu governo,ou do PT como instrumento da democratização do ensino superior no Brasil e desde 2009 ele é projeto político pessoal do ministro da educação Fernando Hadad, sua intenção louvável de tornar o ENEM o vestibular único também será sua propaganda política, com pretensões a prefeitura de São Paulo, ele precisa de um apoio forte para vencer seus rivais internos, como Marta Suplicy que conta com apoio da grande parte do PT paulista, ou mesmo os seus rivais externos e maior desafio: o PSDB que conta com grande apoio do eleitorado de classe média paulista que, em sua grande maioria, é conservador.

 Portanto o ENEM ainda é um projeto, não finalizado, mas em construção e desde 2009 vem ganhando um formato, ainda há muitas coisas a serem desenvolvidas e superadas como a questão de segurança que, a meu ver, em 2011 foi alcançada.

Creio que nos próximos 10 anos o ENEM superará os vestibulares e sim, de fato, ditará os rumos da educação do Ensino Médio e Básico no Brasil como é sua intenção. E também é um projeto político educacional de um governo, mas que necessita nesses 10 anos se tornar independente e fixo, superior a projetos políticos de partidos governantes.


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