sábado, 12 de novembro de 2011

Estado Policialesco

Boa Noite Os últimos acontecimentos me trazem péssimas lembranças históricas... Nesse bimestre Outubro e Novembro ensinei para o 9º ano do EF e 2º e 3º anos EM sobre a ditadura militar e depois redemocratização e sempre enfatizei o AI5 e a Nova Constituição de 1988 como uma antítese da outra. 

Mas os últimos anos têm ocorridos fatos que me fizeram crer que voltaremos a viver em um estado policialesco... Nessa semana vimos no dia 27 de Outubro de 2011 a polícia entrar na USP prender três estudantes da USP e isso virar uma polêmica que culminou com a prisão violenta de 73 estudantes no dia 7 de Novembro. A presença da PM além de ferir a autonomia da Universidade como um espaço livre da presença do poder armado do Estado, a ação foi digna de uma operação militar. Mas isso não vem de agora, a presença da PM na USP vêm desde 2009 na outra reintegração de posse da reitoria também violentíssima, e mesmo assim ela não foi incapaz de evitar a morte do estudante Felipe Paiva no estacionamento da FEA-USP no dia em que a polícia fazia blitz dentro da universidade A seguir dois depoimentos de pessoas que estiveram entre os 73 presos "Numa enorme demonstração de intransigência em meio ao período de negociação e na calada da noite, a reitoria foi responsável pela ação da tropa de choque da PM que militarizou a universidade numa repressão sem precedentes. Num operativo com 400 homens, cavalaria, helicópteros, carros especializados e fechamento do Portão 1 instalou-se um clima de terror, que lembrou os tempos mais sombrios da ditadura militar em nosso pais.

Resistimos e nos obrigaram a entrar em salas escuras, agrediram estudantes, filmaram e fotografaram nossos rostos (homens sem farda nem identificação). Levaram todas as mulheres (24) para uma sala fechada, obrigando-as a sentarem no chão e ficarem rodeadas por policiais homens com cacetetes nas mãos. Levaram uma das estudantes para a sala ao lado, que gritou durante trinta minutos, levando-nos ao desespero ao ouvir gritos como o das torturas que ainda seguem impunes em nosso país. Tudo isso demonstra o verdadeiro caráter e o papel do convênio entre a USP e a polícia militar. A ditadura vive na USP. Tropa de choque, polícia militar, perseguições a estudantes e trabalhadores, demissão de dirigentes sindicais, espionagem contra ativistas e estudantes, repressão através de consultas psiquiátricas aos moradores do CRUSP (moradia estudantil)." Carolina Pedro Soares. Outro depoimento   Cheguei na USP às 3h da manhã, com um amigo da sala. Ia começar o nosso 'plantão' do Jornal do Campus. Outros dois amigos já estavam lá. 

A ideia era passar a madrugada lá na reitoria, ou pelas redondezas. 1) para entender melhor a ocupação, conhecer e poder escrever melhor sobre isso tudo. 2) para estarmos lá caso a PM realmente aparecesse para dar um fim à ocupação. Conversa vai, conversa vem. O tempo da madrugava passava enquanto ficávamos lá fora, na frente da reitoria, conversando com alunos da ocupação. Alguns com posicionamentos bem definidos (ou inflexíveis), outros duvidando até das próprias atitudes. A questão é: os alunos estavam lá e queriam chamar atenção para a causa (ou as causas, ou nenhuma causa)...e, por enquanto, era só. 

Não havia nada quebrado, depredado ou destruído dentro da tão requisitada reitoria (a única marca deles eram as pixações). A ocupação era organizada, eles estavam divididos em vários núcleos e tinham medidas pra preservar o ambiente. Aliás, nada de Molotov. Mais conversa foi jogada fora, a fogueira que aquecia se apagou várias vezes e eu levantei a pergunta pra alguns deles: e se a PM realmente aparecesse lá logo mais? Seria um tiro no pé dela? Ela sairia como herói? Os poucos que conversavam comigo (eram uns 4, além dos amigos da minha sala) ficaram divididos. "Do jeito que a mídia está passando as coisas, eles vão sair como heróis de novo", disse um. "Se ele vierem vai ter confronto e isso já vai ser um tiro no pé deles", disse outra. Mas, numa coisa eles concordavam: poucos acreditavam que a PM realmente ia aparecer. Eu achava que a PM ia aparecer e muito provavelmente isso que me fez ficar acordada lá. Não demorou muito e, pronto, muita coisa apareceu. A partir daí, meu relato pode ficar confuso, acho que ainda não vou conseguir organizar tudo que eu vi hoje, 08 de novembro. 

 Muitos PMs chegaram, saindo de carros, motos, ônibus, caminhões. Apareceram helicópteros e cavalaria. Nem eu e, acredito, nem a maior parte dos presentes já tinham visto tanto policial em ação. Estávamos em 5 pessoas na frente da reitoria. Dois estudantes que faziam parte da ocupação, eu e mais 2 amigos da minha sala, que também estavam lá por causa do JC. Assim que a PM chegou, tudo foi muito rápido: Os alunos da ocupação que estavam com a gente sugeriram: "Corram!", enquanto voltavam para dentro da reitoria. Os dois amigos que estavam comigo correram para longe da Reitoria, onde a imprensa ainda estava se posicionando para o show. Eu, sabe-se lá por qual motivo, joguei a minha bolsa para um dos meninos da minha sala e voltei correndo para frente da reitoria, no meio dos policiais que avançavam para o Portão principal [e único] da ocupação. 

Tentei tirar fotos e gravar vídeos de uma PM que estava sendo violenta com o nada, para nada. Os policiais quebravam as cadeiras no carrinho, faziam questão do barulho, da demonstração da força. Os crafts com avisos dos estudantes, frases e poemas eram rasgados, uma éspecie de símbolo. Enquanto tudo isso acontecia, parte da PM impedia a imprensa de chegar perto da área, impedindo que os repórteres vissem tudo isso. Voltando para confusão onde eu tinha me enfiado: os PMs arrombaram a porta principal, entraram (um grupo de mais ou menos 30, eu acho) e, logo em seguida, fecharam o portão. Trancaram-se dentro da reitoria com os alunos. Coisa boa não era. Depois disso, o outro grupo de PMs,que impedia a mídia de se aproximar dessas cenas que eu contei , foi abrindo espaço. Quer dizer, não só abrindo espaço, mas também começando (ou fortalecendo) uma boa camaradagem para os repórteres que lá estavam atrás de cenas fortes e certezas. "Me sigam para cá que vai acontecer um negócio bom pra filmar ali agora", disse um dos militares para a enxurrada de "jornalistas". A cena era um terceiro grupo de PMs, arrombando um segunda porta da reitoria, sob a desculpa de que queria entrar. O repórter da Globo me perguntou (fui pra perto deles depois da confusão em que me meti com os policiais no início): "os PMs já entraram, não? Por que eles tão tentando por aqui também?". Respondi: "sim, já entraram. E provavelmente estão fazendo essa cena pra vocês terem algum espetáculo pra filmar" A palhaçada organizada pelos policiais e alimentada pelos repórteres que lá estavam continuou por algumas horas. 

A imprensa ia contornando a reitoria, na esperança de alguma cena forte. Enquanto isso, PM e alunos estavam juntos, dentro da Reitoria, sem ninguém de fora poder ver ou ouvir o que se passava por lá. Quem tentasse entrar ou enxergar algo que se passava lá na Reitoria, dava de cara com os escudos da tropa de choque, até o fim. Enquanto amanhecia, universitários a favor da ocupação, ou contra a PM ou simplesmente contra toda a violência que estava escancarada iam chegando. Os alunos pediam para entrar na reitoria. Eu pedia para entrar na reitoria. Tudo que todo mundo queria era saber o que realmente estava acontecendo lá dentro. A PM não levava os estudantes da ocupação para fora e o pedido de todo mundo era "queremos algo às claras". Por que ninguém pode entrar? Por que ninguém pode sair? Enquanto os alunos que estavam do lado de fora clamavam para entrar, ouvi de um grupo de repórteres (entre eles, SBT): "Não vamos filmar essas baboseiras dos maconheiros não! O que eles pedem não merece aparecer". Entre risadas, pra não perder o bom humor. Além dos repórteres que já haviam decidido o que era verdade ou não, noticiável ou não, tinham pessoas misturadas a eles, gritando contra os estudantes, xingando. Eu mesma ouvi muitas e boas como "maconheirazinha", "raça de merda" e "marginal" .

 Os estudantes que enfrentavam de verdade os policiais que faziam a 'corrente' em torno da Reitoria eram levados para dentro. Em questões de segundos, um estudante sumia da minha frente e era levado pra dentro do cerco. Para sabe-se lá o que. Lá pras 7h30, depois de muito choro, puxões e algumas escudadas na cara, comecei a ver que os PMs estavam levando os estudantes da ocupação para dentro dos ônibus. Uma menina foi levada de maneira truculenta, essa foi a única coisa que meu 1,60m de altura conseguiu ver por trás de uma corrente da tropa de choque. Enquanto eu tentava entrar no cerco, para entender a história, a grande mídia já estava lá dentro. Fui conversar com um militar, explicar da JC. Ouvi em troca "ai, é um jornal da usp. De estudantes, não pode. Complica". Os ônibus com os alunos presos saíram da USP. Uma quantidade imensa de outros alunos gritavam com a PM. Eu e os dois amigos da minha sala (aqueles da madrugada) pegamos o carro e fomos para a DP. Na DP, o sistema era o mesmo e meu cansaço e raiva só estavam maiores. Enjoo e dor de cabeça, era o meu corpo reagindo a tudo que eu vi pela manhã. Alunos saiam de 5 em 5 do ônibus para dentro da DP. Jornalistas amontoados. Familiares chegando. Alunos presos no ônibus, sem água, sem banheiro, sem comida, mas com calor. Pelo menos por umas 3h foi assim. Enquanto a ficha caia e eu revisualizava todo o horror da reintegração de posse, outras pessoas da minha sala mandavam mensagens para gente, de como a grande imprensa estava cobrindo o caso. 

Um ato pacífico, né Globo? Não foi bem isso o que eu vi, nem o que o JC viu, nem o que centenas de estudantes presenciaram. Enfim, sou contra a ocupação. Sempre tive várias críticas ao Movimento Estudantil desde que entrei na USP. Nunca aceitei a partidarização do ME. Me decepciono com a falta de propostas efetivas e com as discussões ultrapassadas da maioria das assembléias. Mas, nada, nada mesmo, justifica o que ocorreu hoje. Nada pode ser explicação pra violência gratuita, pro abuso do poder e, principalmente, pela desumanização da PM. Não costumo me envolver com discussões do ME, divulgar textos ou participar ativamente de algo político do meio universitário. Mas, como poucos realmente sabem o que aconteceu hoje (e eu acredito que muita coisa vai ser distorcida a partir de agora, por todos os lados), achei que valeria a pena escrever esse texto.” Para quem quiser saber mais, indico o seguinte blog: http://www.facebook.com/notes/jannerson-xavier/esclarecendo-o-caso-usp-pra-quem-v%C3%AA-de-fora/2459499642739 

 Mas pelos depoimentos devemos tratar as pessoas desse depoimento como simples pichadores e vândalos? São “filhinhos de papai” que ganham carro dos pais e apenas querem fumar maconha? Não! São jovens que lutam contra a ineficiência do governo tucano em garantir a segurança na maior universidade do país, assim como na maior cidade. Lutam contra o fim da liberdade e autonomia que as universidades públicas estaduais de São Paulo vêm sofrendo nos últimos anos, contra os mandos e desmandos de um reitor que certa vez defendeu a privatização dessas universidades que são centro de excelência. 

Não podemos comprar apenas o que a mídia paulista (porta voz da conservadora classe média paulistana) repassa ao restante da população. Quase que ao mesmo tempo, hoje vendo algum jornal policial de algum canal vejo a notícia que prenderam o principal traficante da rocinha. Tratavam sua prisão como prêmio, algo a ser vangloriado e não como apenas um dever feito pelos policiais envolvidos na operação. E já avisaram a instalação da UPP (Unidade de polícia pacificadora)... Isso me lembra a ação policial de Outubro do ano passado quando invadem e tomam o morro do alemão, algo cinematográfico. 

O que me assusta não é a operação policial em si, acho que o tráfico deve ser combatido sim, mas a forma como está sendo realizada, apenas na base da opressão, como se as UPP’s fossem a única alternativa a evitar o crime no Rio de Janeiro e o apoio da população influenciada pela mídia. Isso me lembra ao melhor estilo da Pax Romana quando os romanos mantinham permanentemente as legiões nas províncias rebeldes para evitar possíveis rebeliões. Voltamos ao melhor estilo do império romano? 

Voltamos pouco a pouco para um estado policialesco ao melhor estilo do AI5 onde qualquer manifestação legítima é tratada como ato de vandalismo e a violência policial é a única alternativa? 

Parece que sim, cuidado, já vi esse filme antes....

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

 QUEDA DO MURO DE BERLIM – Curiosidades e Obviedades


Hoje é um dia muito especial na Alemanha, comemora-se a Queda do Muro de Berlim. Exatamente há 22 anos caía não só uma barreira física como o maior símbolo da Guerra Fria. E isso é tudo o que eu escreverei da conhecida história do Muro de Berlim, por assim dizer.

Para conhecer essa história basta consultar o atual pai dos burros (um pouco burro também): Google, ou sua filha, metida à sabida, a Wikipédia. Além do que, eu não correria o risco de fazer feio, tendo um professor de história por aqui. rsrs

Mas, se você não sabe nada da história do Muro de Berlim, da Guerra Fria etc etc, leia aqui, antes de continuar o meu texto.

O que eu venho aqui partilhar com vocês, são as curiosidades em torno desse grande marco histórico e político. Um momento que aconteceu ‘dia desses’ e que tivemos o privilégio de assistir, a História da Humanidade sendo feita e mudando o mundo, mais uma vez.

São curiosidades que eu descobri depois que vim morar na Alemanha e obviedades que eu, confesso, nunca havia pensando tanto a respeito antes. Tenho certeza que, assim como eu, muitos só sabem o básico mesmo.

SIGLAS E TERMOS

Não quero me delongar nesse ponto, pois além de extenso e chato, não interessa muito agora. Porém, por uma ética pessoal, gostaria de dizer que muitos termos utilizados no Brasil (talvez, no mundo) a respeito da Alemanha, são incorretos. Por exemplo, aqui não se diz que havia uma Alemanha “Ocidental” e outra “Oriental”. Para os alemães, havia uma só Alemanha.  E o território que coube à antiga União Soviética, foi renomeado por eles, numa tentativa (falida) de criar um novo regime político. A República Democrática Alemã (RDA). E  o que ficou popular aqui daí em diante foi essa sigla - em alemão, DDR. Era a Alemanha e dentro dela, a RDA. Pois o que a RDA tornou-se, apesar de aparentemente cruel, foi um universo político, econômico e cultural que marcou e marca até hoje a vida dos alemães que naquele pedaço do país viveram/vivem. Tanto é que a Alemanha “Ocidental” levava o mesmo nome de antes e depois dessa divisão: República Federal Alemanha.

Entender isso significa até mesmo compreender melhor os fatos históricos e cultura desse país.

GEOGRAFIA DA COISA

Muita gente acha que o Muro de Berlim era toda a fronteira entre a Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental. E há ainda outros que acham que ele circulava o lado socialista... “Ué, né não? Ele não foi construído pelos soviéticos?”

Pois é. Se é o seu caso, para uma visualização mais clara das coisas, venho elucidar isso. Havia o muro, que circulou uma parte da cidade de Berlim, que pertencia ao Bloco Ocidental. A razão disso era que apenas essa metade da cidade pertencia a Alemanha Ocidental, o resto em volta, pertencia à Alemanha Oriental. Era uma ilha dentro de outra ilha. A idéia foi isolar as pessoas, como se elas fossem um rebanho de ovelhas. O território socialista era mais ou menos um terço da Alemanha (mais uma razão porque não faz sentido dizer ocidente e oriente). E todo esse território também foi isolado, todas as estradas fechadas e policiais monitorando praticamente toda a fronteira. Muita gente tentou escapar por aí e muitos foram presos. Mas como o Muro é a “aberração” maior nessa divisão, principalmente por isolar um pedaço da cidade - que não podia atravessar o muro, mas podia pegar um avião - é ele quem é famoso. É ele o símbolo da Guerra Fria.  E foram 28 anos vivendo assim.

Eu e minha irmã na fronteira mais famosa do Muro: Checkpoint Charlie

QUEDA DO MURO DE BERLIM – HERÓICO OU FALHA POLÍTICA?

Mais um pouco de fatos: Naquele ano de 1989 as coisas estavam piorando bastante para a RDA. A pressão externa estava forte e a população estava invadindo as ruas com protestos. Então, o Conselho Administrativo da RDA já havia decidido que era hora de ceder e acabar com essa zona socialista (adoro o duplo sentido das palavras) e fazer as coisas de uma forma grandiosa e honrada. A data planejada para tanto era o dia 10 de novembro de 1989. (Você leu certo)

É aí que entra o fato super curioso por trás deste momento histórico.

Na noite de nove de novembro de 1989, em uma já comum coletiva de imprensa com o porta-voz do governo, transmitida ao vivo pela TV, onde o mesmo “apenas” lê as deliberações do comitê representativo, ocorre algo fora do comum. O sujeito (Günter Schabowski)  simplesmente lê que as fronteiras entre as duas Alemanhas serão abertas.... e prossegue a leitura. Hilário! Daí, um repórter, que não dormiu no ponto, levanta a mão e pergunta “Sim, tipo assim... mas a partir de quando as fronteiras estarão abertas mesmo??? (livre tradução, pois os alemães não tem senso de humor). Daí o tio engole seco, coloca os óculos pra ler direito, gagueja e decide por conta e risco: “Ab sofort!”. Imediatamente!

Nesse momento, nêgo jogou o gravador pro ar e saiu correndo pra fronteira mais próxima. De fato, a população tomou as ruas e foram direto pros portões mais próximos. E quem disse que os guardas abriram? Eles não tinham ordens pra tanto e ficaram desesperados, ligando pras autoridades pra perguntar “abre ou não abre?”. Enquanto isso, repórteres batiam nas portas dos representantes do governo e políticos aturdidos respondiam “Não sei do que você está falando...”. Mas era tarde demais, a população já não queria mais saber e resolveram subir ao longo do muro e festejar o que já era dado por decidido, o fim daquele pesadelo em que viviam. Os guardas receberam as ordens de abrir os portões por volta das 23h daquele mesmo dia, e as pessoas não se importavam pela hora, elas só queriam sair dali e encontrar os seus familiares e comer um Big Mac... “É o que?”

Tudo o que eu relatei acima, eu vi em vídeos da época. Os quais estão todos divulgados no YouTube. Aconselho vê-los, são bastante emocionantes, e deixo aqui abaixo dois vídeos, um bem curtinho mostra só o momento em que o porta-voz do governo gagueja a sua declaração e outro que mostra o povo invadindo as ruas e fronteiras naquele dia.

Ah sim, o Big Mac. O gerente do McDonald’s de Lübeck, umas das cidades do lado ocidental que fica perto da grande fronteira, contou uma história que ele adora repetir. No dia 10 de novembro, quando ele era um rapazinho e tinha começado a trabalhar naquele mesmo restaurante, ele diz que havia uma fila de carros no Drive Thru ao longo de quarteirões. Devia ser o primeiro desejo de muitos alemães ao sair do lado oriental.

AFINAL, O MURO CAIU MESMO?

Haha. Essa é óbvia, mas é bom que o óbvio seja dito.
Não, o muro não caiu no dia 9 de novembro de 1989. Os portões que foram abertos nesse dia.  Ele foi derrubado aos poucos nos dias seguintes. Mas caiu fica muito mais legal, né?

 
Aloá Benvenuti

 Günter Schabowski e sua gaguejada declaração.



 Emoção da conquista do livre-trânsito no país.