segunda-feira, 16 de abril de 2012

Biblioteca Nacional lança pontos de leitura para divulgar temática africana


Divulgar a cultura africana por meio de livros específicos sobre o assunto é um dos objetivos do projeto de Pontos de Leitura Temáticos: Ancestralidade Africana no Brasil, lançado na noite de quinta-feira (12) pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN).

De início serão dez pontos de Leitura espalhados pelas cinco regiões do país, em capitais ou municípios do interior. Cada local terá 1,2 mil livros, sendo a metade referente às temáticas ligadas à matriz africana. Nos pontos haverá também o registro das histórias orais e a produção de material bibliográfico para propiciar a troca de informações entre as comunidades.

O presidente da FBN, jornalista e escritor Galeno Amorim, ressaltou a importância de se divulgar a história e a cultura da África, continente de onde veio grande parte da população brasileira, mas que até hoje ainda é pouco estudado no sistema de ensino oficial.

“É preciso sempre lembrar que o Estado brasileiro tem uma dívida histórica muito grande com o povo negro. O Brasil tem que fazer políticas afirmativas e procurar formas de resgatar essa dívida. É no campo da cultura que se enfrenta o racismo e se cria novas formas de buscar maior integração da sociedade. E os livros têm papel preponderante nesse processo”, disse.


O projeto é coordenado pela FBN, com a participação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e da Secretaria da Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura.

Amorim explicou que os pontos de leitura são menos institucionais que as bibliotecas e podem ser instalados de maneira mais informal em locais representativos para a comunidade, desde associações até centros culturais ou religiosos. Após a implantação dos pontos de matriz africana, haverá a continuidade do projeto, mas direcionado às comunidades indígenas.

Durante a solenidade, na Biblioteca Nacional, também houve o lançamento do livro Contos e Crônicas do Mestre Tolomi, escrito por Paulo Cesar Pereira de Oliveira, trazendo uma narrativa sobre a tradição Yorubá, que veio para o Brasil com os escravos da região onde hoje é a Nigéria e continua disseminada no país, seja por meio da culinária, da cultura ou do idioma.

“Nós temos uma lei [federal], a 10.639 [de 2003], que obriga o ensino da história da África e dos afro-descendentes na escola. E esse livro visa justamente a contribuir com isso. São cinco contos localizados dentro da tradição Yorubá, na Nigéria, e também um minidicionário Yorubá-Português. Nós temos a lei, mas ela não está sendo aplicada. Então esse livro vem como contribuição à aplicação da lei”, destacou.

domingo, 15 de abril de 2012

Prefeitura suspende Festival de Cinema de Paulínia


A Prefeitura de Paulínia extinguiu o seu Festival de Cinema que, apesar de curta carreira, já tinha se colocado entre os cinco mais importantes do país, ao lado dos de Brasília, Gramado, Pernambuco e Ceará. Com a desculpa da necessidade de priorizar os projetos sociais da cidade, o prefeito José Pavan Junior tomou a decisão política de cancelar o evento. Vale ressaltar que o festival tinha sido criado por um rival político.
Este seria o primeiro ano em que o Festival de Paulínia faria captação de patrocínio via Lei Rouanet. Pavan afirmou que o valor disponível através da lei foi pequeno, mas não soube informar quanto era. Em 2011, o festival, realizado no Theatro Municipal de Paulínia, teve a participação de 394 filmes.Embora Paulínia, com sua refinaria, seja um dos municípios mais ricos do Brasil e, portanto, não dependa da verba de um festival de cinema para realizar obras sociais, a Prefeitura alega que “os cerca de R$ 10 milhões que seriam investidos no Festival de Cinema, serão direcionadas para os trabalhos realizados na área social, como construção de novas escolas, casas, saúde e nos programas do meio ambiente”. A decisão ocorre em ano eleitoral. Mas também se prova um grande equívoco de avaliação eleitoreira.Edson Moura, prefeito que criou o Festival, irá enfrentar nos próximos meses o prefeito que cancelou o evento, em eleições municipais que serão acompanhadas com interesse por cinéfilos do país inteiro. Além de criar o Festival, Moura criou o pólo de produção, que já levou 40 filmes a serem produzidos na cidade, movimentando a economia municipal. Pavan, porém, afirmou que Paulínia continuará a apoiar e investir nos longas e curtas produzidos no Polo Cinematográfico.Por meio do pólo de produção, a Prefeitura de Paulínia investe no financiamento de filmes brasileiros, que tenham cenas filmadas na cidade. Até 2011, graças a quatro editais de patrocínio, 40 longas-metragens foram rodados em Paulínia, entre eles “O Palhaço”, “Chico Xavier”, “Trabalhar Cansa”, “Corações Sujos” e “Bruna Surfistinha”. No último edital de longas, que contemplou 10 longas, a quantia distribuída foi de R$ 9,5 milhões, e até o final de 2012 três produções ainda passarão por Paulínia: “O Tempo e o Vento”, “Acorda Brasil” e “Trinta”.
Mas, segundo o crítico João Nunes, sediado em Campinas, “o edital de 2011 (que deveria ter sido anunciado no final de 2010) não saiu, assim como o de 2012 (que deveria ter sido anunciado no final do ano passado). O de curtas vai completar dois anos em julho. Nenhum deles saiu. O prefeito repete o que tem dito desde então: ‘Vão sair o mais breve possível’. Ou seja, não vão sair. Ainda tem filmes do edital de 2010 sendo feitos aqui. Agora, isso tudo pode mudar caso ele perca as eleições”.Toda a comunidade do cinema brasileiro lamenta dolorosamente o ocorrido, em especial os críticos, como ficou registrado em Carta Aberta ao Prefeito, enviada pelo presidente da Associação Brasileira dos Críticos de Cinema (ABRACCINE), Luiz Zanin Oricchio. Na carta, Zanin lamenta “a descontinuidade de um projeto muito bem formatado e de grande repercussão nacional” e lembra que a própria ABRACCINE surgiu em meio a reuniões que aconteceram durante edições do Festival. “Todo esse patrimônio simbólico corre o risco de se perder, ao sabor de conveniências políticas de momento”, escreve o jornalista, que conclui alertando: “Eventos importantes firmam sua tradição pela continuidade”.Paralelamente, alguns cinéfilos se reuniram no site Manifesto Livre para criar um abaixo-assinado contra a suspensão do festival. Registrando reclamações, o site acabou virando um fórum de descontentamento. Repercute com potência negativa as ações desencadeadas nesta sexta-feira 13, a seis meses das próximas eleições municipais.Fonte: Pipoca Moderna